Preço muito baixo, falta de identificação e até o estado das bombas podem indicar problemas; veja o que observar antes de abastecer

Posto de combustível - gasolina - etanol - frentista — Foto: Murilo Goes/Autoesporte

Escolher onde abastecer vai muito além de procurar o menor preço. Combustível fora das especificações pode provocar falhas de funcionamento, elevar o consumo e, em situações mais graves, comprometer componentes do motor e dos sistemas de injeção e emissões. Por isso, alguns minutos de atenção antes de colocar o combustível no tanque podem evitar uma conta bem maior na oficina.

A boa notícia é que o próprio motorista consegue observar uma série de indícios sobre a procedência do combustível e a regularidade do estabelecimento. Identificação do posto, condições das bombas e disponibilidade de testes são alguns deles. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável pela fiscalização do setor, verifica tanto a qualidade dos produtos quanto o volume efetivamente fornecido pelas bombas.

Além disso, redes como a Ipiranga mantêm seus próprios mecanismos de controle. A companhia monitora sua cadeia de abastecimento desde a aquisição dos combustíveis em refinarias e usinas homologadas até a chegada aos postos, com análises laboratoriais e acompanhamento logístico. A rede também mantém um programa próprio de auditorias periódicas.

Veja cinco cuidados que ajudam a escolher um posto confiável e reduzir o risco de abastecer com combustível adulterado.

1) Dê preferência a postos de bandeira reconhecida

Dar preferência a bandeiras reconhecidas é uma forma de reduzir os riscos — Foto: Murilo Goes/Autoesporte

A bandeira não deve ser o único critério de escolha, mas pode ser uma primeira referência sobre a procedência do combustível. Redes organizadas possuem mecanismos próprios de controle e rastreabilidade dos produtos comercializados.

No caso da Ipiranga, por exemplo, a companhia monitora o combustível desde sua origem e realiza visitas periódicas aos estabelecimentos por meio do Programa da Qualidade Ipiranga. No programa, os especialistas da Ipiranga realizam visitas técnicas periódicas e sem aviso prévio aos postos. Nessas visitas são realizados testes da qualidade e origem dos combustíveis, a verificação de requisitos obrigatórios da ANP, como vidrarias para testes, termodensímetros nas bombas de etanol e baldes aferidores conforme o INMETRO, além de treinamentos práticos focando em manuseio, análises e boas práticas com os combustíveis.

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Dar preferência a bandeiras reconhecidas, portanto, é uma forma de reduzir os riscos, especialmente porque o consumidor pode contar com mecanismos adicionais de controle de qualidade. Ainda assim, mesmo em um estabelecimento bandeirado, vale conferir as informações disponíveis nas bombas e a identificação da distribuidora responsável pelo produto. A transparência sobre a origem do combustível é mais um elemento para uma escolha segura.

2) Desconfie de preços muito abaixo da média

Se a diferença parecer boa demais para ser verdade, pode ser mais seguro procurar outro estabelecimento — Foto: Murilo Goes/Autoesporte

Encontrar gasolina ou etanol alguns centavos mais baratos é normal. Custos operacionais, localização e estratégias comerciais fazem com que os preços variem entre estabelecimentos. A atenção deve aumentar quando a diferença é grande demais em relação aos demais postos da região. Preços muito abaixo da média regional podem ser um sinal de alerta, já que valores fora do padrão de mercado podem estar associados a combustível adulterado ou fraudes tributárias.

Também vale comparar o preço anunciado no painel do posto com aquele indicado na própria bomba antes de iniciar o abastecimento. Em uma viagem ou região desconhecida, consultar os valores praticados nos arredores pode ajudar a identificar uma oferta muito destoante do mercado. Se a diferença parecer boa demais para ser verdade, pode ser mais seguro procurar outro estabelecimento.

3) Confira a identificação do posto e das bombas

Veja informações que permitem verificar se o estabelecimento está devidamente autorizado — Foto: Murilo Goes/Autoesporte

Um posto regular precisa deixar informações importantes acessíveis ao consumidor. A placa de autorização da ANP deve ficar em local visível e trazer dados como CNPJ e número de registro do revendedor. Essas informações permitem verificar se o estabelecimento está devidamente autorizado.

As bombas também precisam apresentar as identificações exigidas e estar com adesivos e lacres em boas condições. Vale, portanto, observar o posto antes mesmo de tirar a tampa do tanque. Bombas danificadas, adesivos ilegíveis, falta de identificação ou informações confusas merecem atenção.

O mesmo raciocínio vale para a estrutura do estabelecimento. Bombas íntegras, bicos lacrados, equipamentos de teste conservados, área limpa e funcionários preparados para explicar os procedimentos são indícios de uma operação mais cuidadosa. Certificados expostos e preços comunicados de maneira clara também ajudam o consumidor a avaliar a transparência do posto.
4) Em caso de dúvida, peça o teste do combustível
Testes da proveta e do termodensímetro podem salvar o seu carro — Foto: Murilo Goes/Autoesporte
O motorista não precisa simplesmente confiar no que está saindo da bomba. Há procedimentos que permitem verificar características do produto comercializado, e o consumidor pode solicitar a realização dos testes no próprio estabelecimento.
No caso da gasolina, é possível pedir o teste da proveta, utilizado para verificar a proporção de etanol anidro. O procedimento deve ser realizado na presença do consumidor, utilizando vidrarias adequadas e em boas condições.
Para o etanol, outro equipamento merece atenção: o termodensímetro instalado na bomba. Ele permite acompanhar características do combustível durante o abastecimento e deve estar em funcionamento. Também vale observar os lacres de segurança presentes nos bicos e nas bombas.
Há ainda a possibilidade de solicitar o teste de volume com o balde aferidor de 20 litros certificado pelo Inmetro. Nesse caso, o objetivo não é analisar a qualidade do combustível, mas verificar se a quantidade efetivamente entregue corresponde ao volume registrado pela bomba.
5) Guarde a nota fiscal, especialmente se desconfiar de algo
Se houver qualquer dúvida sobre a qualidade do produto, a recomendação é solicitar imediatamente os testes disponíveis — Foto: Murilo Goes/Autoesporte
O cuidado não termina quando o abastecimento acaba. Pedir e guardar a nota fiscal cria um registro de onde, quando e quanto combustível foi comprado, algo particularmente importante caso o carro apresente problemas posteriormente.
Se houver qualquer dúvida sobre a qualidade do produto, a recomendação é solicitar imediatamente os testes disponíveis e manter o comprovante do abastecimento. Caso a suspeita de irregularidade permaneça, o consumidor pode procurar os canais de atendimento da rede responsável pelo estabelecimento e registrar uma denúncia junto à ANP através do 0800 970 0267 ou do formulário no portal gov.br.
Nenhuma dessas medidas, isoladamente, é garantia absoluta contra problemas. Em conjunto, porém, elas ajudam o motorista a tomar uma decisão mais criteriosa: procurar estabelecimentos de procedência conhecida, desconfiar de preços muito destoantes, conferir a regularidade das instalações, conhecer o direito de solicitar testes e manter o comprovante do abastecimento.
São cuidados simples que aumentam a transparência na hora de abastecer e ajudam a reduzir o risco de colocar no tanque um combustível fora das especificações.
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