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NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump
NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump · Imagem: Source: olhardigital.com.br

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NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump
NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A NASA começou a substituir referências à inteligência artificial (IA) por “superinteligência”, seguindo ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A determinação exige que órgãos federais adotem a nova nomenclatura em comunicações oficiais, sem reconhecer publicamente que o termo anterior foi substituído.

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NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump · Imagem: Source: olhardigital.com.br

Um documento interno obtido pelo Space.com detalha um plano de implementação dividido em quatro fases, com mudanças previstas até 23 de dezembro. A iniciativa abrange sites, publicações, títulos organizacionais e infraestrutura digital da agência espacial. Uma das alterações técnicas previstas foi classificada como uma mudança capaz de interromper integrações existentes entre softwares.

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NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A mudança de vocabulário ocorre enquanto a NASA amplia o uso de IA em missões e pesquisas, incluindo a navegação autônoma de veículos em Marte e a análise de grandes volumes de dados científicos. As tecnologias utilizadas não estão mudando, mas a adaptação da nomenclatura cria novos desafios para a comunicação científica e os sistemas digitais da agência.

Imagem da matéria: NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump
Imagem da matéria: NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump · Imagem: Presidente Trump passou a chamar a IA de superinteligência – Imagem: YousufDean / Shutterstock

O que diz a ordem de Trump

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Imagem da matéria: NASA corre para usar o termo “superinteligência” após ordem de Trump · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- Assinada em 29 de setembro, a ordem executiva chamada Inaugurating the Era of Super Intelligence (“Inaugurando a era da superinteligência”, em tradução livre) determina que órgãos federais substituam todas as menções a “artificial intelligence” e “AI” por “super intelligence” e “SI” em comunicações oficiais;

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- A Casa Branca argumenta que a IA avançou para além da automação simples e da imitação da inteligência humana. Por isso, segundo o governo, seria necessário adotar uma terminologia que refletisse melhor as capacidades emergentes da tecnologia;

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- Há, porém, uma contradição na determinação: embora introduza um novo nome, a ordem mantém a definição federal existente de inteligência artificial. Ela abrange, de maneira ampla, sistemas computacionais capazes de aprender e produzir previsões, recomendações ou decisões;

- Na prática, tecnologias que já se enquadram nessa definição podem passar a ser chamadas de “superinteligência” sem precisar demonstrar qualquer capacidade adicional;

- O documento interno distribuído pelo Escritório de Comunicações e pelo Escritório do Diretor de Informação da NASA determina que a nova terminologia seja usada imediatamente em conteúdos e publicações abrangidos pela medida;

- A orientação inclui apresentações, exposições, materiais impressos, entrevistas à imprensa e outros conteúdos destinados ao público externo. Internamente, também se aplica a comunicações oficiais entre funcionários, guias de estilo, sites internos e sistemas de tecnologia da informação mencionados em materiais institucionais.

Pressão da direção e receio de confusão

A liderança da NASA vem alinhando as prioridades da agência às diretrizes do governo Trump. Desde que assumiu o cargo de administrador, em dezembro de 2025, Jared Isaacman tem defendido a visão do presidente para a exploração espacial, com forte ênfase em missões tripuladas.

A relação entre os dois também ficou evidente em aparições públicas. Em 30 de agosto, Trump telefonou inesperadamente durante uma entrevista coletiva sobre o lançamento do Telescópio Espacial Roman. Um mês depois, Isaacman participou de um almoço na Casa Branca com mais de uma dúzia de executivos do setor de IA, no mesmo dia em que o presidente assinou a ordem sobre superinteligência.

Durante entrevista coletiva em 1º de outubro, Isaacman afirmou ter ficado honrado com a oportunidade de participar do encontro. Ao comentar sua posição no debate, ressaltou que era o representante do setor espacial, e não um especialista em IA, mas destacou o potencial da superinteligência para mudar o curso das civilizações.

A disposição do administrador em adotar o novo vocabulário pode ter contribuído para acelerar a implementação na agência. Um funcionário da NASA ouvido pelo Space.com resumiu a pressão interna: “Estamos recebendo muita pressão do próprio administrador para agir.”

A orientação também proíbe reconhecer a nomenclatura anterior, inclusive por meio de expressões de transição, como “SI, também conhecida anteriormente como IA”.

Termos relacionados, como “IA generativa”, devem ser substituídos por “superinteligência generativa”. A comunicação da agência também deve se afastar da ideia de automação e enfatizar como as tecnologias ampliam a criatividade e a capacidade humana, conforme a ordem presidencial.

As instruções abrangem todos os centros e diretorias de missões da NASA, incluindo contratados e funcionários do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), na Califórnia (EUA).

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Expressões técnicas específicas, como machine learning (aprendizado de máquina), grandes modelos de linguagem e chatbots, continuam permitidas. Mesmo assim, funcionários envolvidos na implementação temem que a mudança gere interpretações equivocadas.

“Existe a preocupação de que haverá muita confusão na comunidade científica e na população em geral”, afirmou ao Space.com um funcionário da NASA familiarizado com o plano, sob condição de anonimato.

Em gravações de uma reunião interna de comunicação obtidas pelo veículo, participantes também manifestaram frustração com a impossibilidade de explicar publicamente a razão da mudança.

“Nem sequer devemos usar o termo IA… Estão falando disso como se fosse Voldemort ou Macbeth, com pessoas chamando de ‘a tecnologia que não deve ser nomeada’”, disse um funcionário.

Outro participante destacou que os conceitos não são equivalentes: “Superinteligência e inteligência artificial têm significados diferentes. As duas coisas já são distintas”.

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O debate, segundo o Space.com, pode chegar à cúpula da agência por meio de um sistema anônimo de sugestões que permite aos funcionários encaminhar preocupações diretamente à direção.

Em resposta ao veículo, a NASA afirmou estar adotando uma abordagem coordenada para incorporar a determinação às comunicações e aos recursos digitais, preservando a funcionalidade e a acessibilidade dos sistemas e serviços.

A agência também declarou que continuará comunicando suas pesquisas, descobertas e avanços tecnológicos com precisão e transparência.

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Presidente Trump passou a chamar a IA de superinteligência – Imagem: YousufDean / Shutterstock

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NASA já utiliza IA em missões espaciais

A IA faz parte das operações e dos projetos científicos da NASA há anos. A superinteligência, por sua vez, tradicionalmente descreve capacidades muito mais avançadas — muitas vezes hipotéticas — que ultrapassariam os limites da cognição humana.

Um exemplo da aplicação dessas tecnologias é o rover Perseverance, que explora Marte. Em dezembro de 2025, o veículo realizou seu primeiro deslocamento no planeta utilizando rotas planejadas com auxílio de IA generativa.

A agência também utiliza modelos de IA para processar grandes conjuntos de dados científicos. Um deles é o Surya, desenvolvido pela NASA em parceria com a IBM. Apresentado no ano passado, o modelo foi treinado com nove anos de dados da área de heliofísica da agência para ajudar a aprimorar previsões sobre o clima espacial e a atividade solar.

No mês passado, NASA e IBM apresentaram outra colaboração voltada ao estudo da Lua. O modelo busca ajudar pesquisadores a investigar a superfície lunar em busca de possíveis depósitos de gelo de água.

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A IA também é importante para o processamento do grande volume de dados esperado com a entrada em operação do Telescópio Espacial Roman.

Esses modelos, conhecidos como modelos fundamentais, continuam enquadrados nas expressões técnicas permitidas pela orientação interna da NASA. Entretanto, as diretrizes específicas para publicações científicas e documentos de pesquisa ainda estão em elaboração.

A indefinição levanta dúvidas sobre como os pesquisadores da agência conciliarão a nova nomenclatura com a terminologia estabelecida em universidades, instituições científicas internacionais e outras organizações que não necessariamente seguirão a ordem de Trump.

Mudança será implementada em quatro fases

O plano interno da NASA divide a adoção da nova nomenclatura em quatro etapas, com prazos entre 9 de outubro e 23 de dezembro.

9 de outubro

Fase 1

Sites prioritários e cargos

A primeira fase, já iniciada, abrange os principais sites da NASA relacionados à IA e títulos de funcionários. Kevin Murphy, por exemplo, passou a ser identificado como chefe interino de dados e superinteligência, em vez de chefe interino de dados e IA.

16 de outubro

Fase 2

Páginas de maior audiência

A etapa inclui páginas populares dos sites nasa.gov e science.nasa.gov, além da mudança do endereço do grupo de IA do JPL. O prazo original era 30 de outubro, mas funcionários ouvidos pelo Space.com disseram que a conclusão foi antecipada para esta sexta-feira (16).

30 de novembro

Fase 3

Outros sites e integrações

A terceira etapa abrange mais páginas de grande audiência e a mudança do endereço da plataforma Ask Sage, usada por órgãos federais. O documento alerta que a alteração poderá interromper APIs e outras integrações, exigindo adaptações em conexões de software já existentes.

23 de dezembro

Fase 4

Demais sites e sistemas internos

A última fase prevê atualizar sites com menor tráfego, sistemas internos de tecnologia da informação e outras ferramentas utilizadas pela agência.

A atualização também alcançará páginas antigas que continuam em uso. Dependendo do caso, elas receberão alterações ou avisos de caráter arquivístico. Títulos, descrições e metadados de vídeos e podcasts antigos poderão ser revisados, embora gravações, transcrições e legendas originais permaneçam inalteradas.

Uma página da NASA sobre o planejamento de trajetos do Perseverance em Marte, por exemplo, já passou a usar “SI” no título, mas ainda mantém “AI” (IA em inglês) no endereço eletrônico. O plano prevê que esse endereço seja posteriormente redirecionado para outro com a nova nomenclatura.

O cronograma não decorre de um prazo obrigatório definido pela ordem executiva. Segundo o documento interno, as datas representam recomendações de implementação diante de prioridades concorrentes da agência e do Escritório de Gestão e Orçamento dos Estados Unidos.

A NASA, portanto, precisa adaptar sua comunicação institucional e parte de sua infraestrutura digital a uma mudança de terminologia que não altera, por si só, as capacidades das tecnologias utilizadas em suas missões científicas.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Tags: Inteligência Artificial Nasa Superinteligência artificial