Segundo o jogador, pedido de regularização feito ficou engavetado durante 10 meses e Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, 'ressuscitou uma empresa (inapta desde 2018), com sócios já falecidos, e ludibriou uma viúva de 78 anos '.

Richarlison volta a gravar vídeo sobre disputa de ilha envolvendo Flávio Bolsonaro
Richarlison volta a gravar vídeo sobre disputa de ilha envolvendo Flávio Bolsonaro · Imagem: Source: cbn.globo.com

O jogador Richarlison — Foto: Reprodução/Redes sociais

Richarlison volta a gravar vídeo sobre disputa de ilha envolvendo Flávio Bolsonaro e mostra documentos de compra
Richarlison volta a gravar vídeo sobre disputa de ilha envolvendo Flávio Bolsonaro e mostra documentos de compra · Imagem: Source: cbn.globo.com

O jogador Richarlison voltou a publicar um vídeo nas redes sociais envolvendo a compra de uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, mostrando os documentos de compra e revelando que enviou uma mensagem no início do ano para o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) para a resolução do caso.

O atleta escreve que a compra ocorreu em outubro de 2020 e fez um investimento de R$ 10 milhões 'entre pagamento aos antigos posseiros (R$4.660 milhões), reformas e segurança contra INVASÕES'. Segundo ele, houve indenização, acordo em cartório e a Justiça do Rio validou a posse.

Segundo ele, o pedido de regularização feito ficou engavetado durante 10 meses e que Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, 'ressuscitou uma empresa (inapta desde 2018), com sócios já falecidos, e ludibriou uma viúva de 78 anos para tomar a nossa ilha'. A transferência de patrimônio, diz Richarlison, foi feita 'a jato', em 24 horas.

'Ganhamos na Justiça de Angra dos Reis, mas tudo começou a mudar quando o Willer contratou um advogado filho de um ministro do STJ. Aí, mudaram a sentença e se sentaram em cima do processo!', declarou.

Richarlison volta a gravar vídeo sobre disputa de ilha envolvendo Flávio Bolsonaro

O novo vídeo é revelado no dia em que veio à tona que Tomaz entrou com uma ação na Justiça do Distrito Federal contra o jogador Richarlison, para impedir que ele divulgasse conteúdos sobre a disputa da posse de uma ilha no Rio de Janeiro, na cidade de Angra dos Reis.

Feito sob urgência, o pedido foi realizado em 29 de julho. No entanto, no dia 13 de agosto a Justiça negou a ação de medidas de forma imediata, dizendo que se aproximava de uma 'restrição prévia à manifestação de pensamento'.

'A ordem constitucional consagra a plena proteção à liberdade de expressão pelo binômio liberdade com responsabilidade, admitindo a análise e a responsabilização posteriores, mas repelindo a censura prévia', escreveu o juiz Giordano Resende Costa.

O caso ainda segue em tramitação.

A ação foi feita por Willer e a empresa que ele possui WT Administração de Bens e imóveis. O caso ocorreu após o atleta publicar em suas redes sociais e se manifestar no post de outras pessoas sobre o episódio.

Em um dos casos reclamados pelo advogado é em julho, quando Richarlison disse que gastou 'em torno de 10 milhões' e 'simplesmente me tomaram'.

'E estou até hoje sem receber a minha grana!!!', declarou ele na época.

Mansão em ilha de Angra dos Reis alvo de disputa de Richarlison. — Foto: Reprodução

Na ação, é solicitado uma chamada tutela inibitória, defendendo que o jogador se abstenha de 'publicar, repostar, compartilhar ou de qualquer forma divulgar novos conteúdos' afirmando ou insinuando 'que o imóvel de Ilha Comprida foi 'tomado' do réu [Richarlison] ou que ele foi vítima de espoliação ou golpe a ele relacionado'.

É pedido uma multa de R$ 200 mil por indenização por danos morais, além de R$ 50 mil por publicação e mais R$ 50 mil a cada momento que for mantida no ar.

O juiz indicou em uma primeira decisão que Richarlison sempre direcionou o foco dos posts ao senador Flávio Bolsonaro e que a ação de Tomaz gera questionamentos se o processo tem como foco 'a defesa de interesse de terceiro', algo impedido pela Justiça.

Flávio nega qualquer envolvimento no caso.

Questionado pelo UOL, Richarlison afirmou que não sabia do processo e tomou conhecimento pelo contato com a reportagem.

Em nota, o advogado Willer Tomaz também contestou as acusações. Ele afirmou que a situação do imóvel foi regularizada pela Justiça e negou qualquer irregularidade.

A disputa pela propriedade já tramita no Judiciário e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Richarlison sustenta que houve irregularidades na transferência da posse da ilha e pede que a Polícia Federal apure as circunstâncias do caso.

PF aponta vínculos financeiros e empresariais entre Flávio e Tomaz

O advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/X

Um relatório da Polícia Federal aponta possíveis vínculos financeiros, empresariais e pessoais entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, investigado na operação Sem Desconto, que investiga o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões no INSS. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela CBN. O documento aponta a suspeita de uma sociedade entre os dois, com viagens pagas e momentos de lazer entre eles.

Um dos principais elementos encontrados é o cadastro de Flávio como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holding, empresa controlada por Willer Tomaz. Segundo a investigação, o senador teria mantido esse nível de acesso até maio de 2025. Para os policiais, o registro reforça a hipótese de uma relação econômica ou societária entre os dois.

Segundo o documento da PF, esse elemento, analisado em conjunto com os demais vínculos identificados, sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato na empresa.

O relatório também menciona viagens internacionais em jatinhos particulares, algumas custeadas por empresas ligadas a Tomaz, além de registros de convivência entre o advogado e o senador. A PF ainda encontrou referências ao uso de um aplicativo de mensagens temporárias, que permite a destruição automática das conversas, considerado pelos investigadores mais um elemento a ser analisado no contexto da relação entre os dois.

A PF também identificou mensagens e uma planilha no celular de Tomaz que apontam para o pagamento de R$ 9 mil pela remoção ou desindexação de 12 links de notícias relacionados ao advogado e à sua ligação com Flávio Bolsonaro. O serviço teria sido oferecido pela empresa “Seu Nome Novo de Novo”, especializada em gerenciamento de reputação digital. O valor inicialmente previsto era de R$ 12 mil, mas houve desconto.

Para a PF, a combinação de registros empresariais, acesso a conta, viagens, comunicações por aplicativo de mensagens temporárias e a tentativa de retirar conteúdos da internet forma um conjunto de indícios que revelam a proximidade entre os dois.

Willer Tomaz nega qualquer relação comercial com Flávio Bolsonaro, mas afirma que as famílias são amigas e que as viagens decorrem dessa convivência, sem nenhuma contrapartida. Flavio e Willer negam que o senador tenha sido usuário master da conta da Alcazar. Flávio também confirma a relação de amizade entre as famílias e diz que insinuar irregularidades a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos.

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