Custódio Amorim (Parnaíba, 24 de maio de 1907 - Parnaíba, 19 de novembro de 1997) foi uma liderança negra no município de Parnaíba. Um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na cidade, em 1945, tendo sido eleito vereador em diversos pleitos entre as décadas de 1950 e 1980, inicialmente pelo próprio PTB e depois por outros partidos. Em artigos que publicou na imprensa, se apresentava como “vereador operário”. Foi homenageado pela Câmara Municipal de Parnaíba, que batizou o anexo da casa legislativa com o seu nome, bem como uma rua no bairro Vicente Correia passou a ser denominada Vereador Custódio Amorim, em 2020.

Biografia Custódio Amorim iniciou sua trajetória política em 1945, tornando-se um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Parnaíba e um dos primeiros homens negros eleitos dentro do cenário político parnaibano. Desde o começo de sua vida pública, permaneceu fiel aos princípios trabalhistas e ao partido que ajudou a estruturar, o que lhe rendeu o reconhecimento popular como “vereador operário”. Sua atuação coerente e contínua resultou em uma carreira de grande longevidade: foi eleito vereador por oito mandatos consecutivos, consolidando-se como uma das figuras mais expressivas da política parnaibana. Amorim faleceu em 19 de novembro de 1997, aos 90 anos, deixando um legado marcado pela lealdade partidária e pela defesa das causas populares. O ambiente político-partidário de Parnaíba ao longo do século XX, era permeado pelo uso da violência como ferramenta de disputa e controle. Nas décadas de 1950 e 1960, essa lógica se intensificou, revelando um cenário em que capangas armados atuavam dentro de fóruns eleitorais para intimidar eleitores e ameaçar candidatos oposicionistas, entre os quais os membros do PTB figuravam como alvos preferenciais. Nesse contexto de coerção e autoritarismo, Custódio Amorim emergiu como uma das vítimas mais evidentes da perseguição política. Sua postura firme em defesa de pautas trabalhistas e sua proximidade com os setores populares o colocaram diretamente na mira dos grupos que utilizavam a violência para manter sua influência no processo eleitoral. Outros episódios ajudam a evidenciar as perseguições enfrentadas por Custódio Amorim, particularmente após o golpe de 1964, que destituiu o presidente da República João Goulart. Ele havia apresentado na Câmara Municipal sua proposta de conceder a Leonel Brizola o título de cidadão parnaibano. A repercussão dessa iniciativa foi tamanha que acabou desencadeando a abertura de um inquérito pelas autoridades militares da época, cujo registro pode ser consultado no Projeto Brasil: Nunca Mais. Embora tenha retirado o projeto de pauta posteriormente, justificando desconhecer a ideologia marxista atribuída a Brizola, o episódio foi utilizado no inquérito como tentativa para o seu enquadramento na Lei de Segurança Nacional, além de sua sintonia com o movimento trabalhista e sua disposição de valorizar lideranças alinhadas às causas que orientavam sua própria atuação política. Com a instituição do bipartidarismo no Brasil, em 1965, Custódio Amorim filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1979, com a reforma partidária que pôs fim ao bipartidarismo, buscou participar do processo de refundação do PTB, mas não obteve sucesso, tendo ingressado no Partido Democrático Social (PDS).

Referências