Ludovina Villas-Boas nasceu no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, em 1860. Foi pianista e compositora e exerceu grande importância entre as compositoras femininas em cenário nacional. Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Villas-Boas, no entanto, sua música teve influência notável no rumo do Choro e do Samba no cenário brasileiro. Boa parte das publicações de mulheres do choro como Ludovina Villas-Boas sumiram completamente dos acervos, além de terem sofrido com a desigualdade de gênero ao longo de todas suas trajetórias musicais. Atualmente, sabe-se que movimentos musicais brasileiros tais quais o Samba e o Choro contaram com mulheres desde sua origem. Por exemplo, no samba, o movimento de migração nordestina das "Tias Baianas" permitiu que a cultura afro-brasileira preservada por essas mulheres negras da Bahia se misturasse com o ritmo carioca na capital do Rio de Janeiro. No Choro, o papel feminino não foi diferente, desde o início da sua formação, no final do século dezenove, nomes como Chiquinha Gonzaga, Lina Pesce, Tia Amélia e, claro, o de Ludovina Villas-Boas. Todavia, essa presença feminina, além de ser inferior numericamente, sempre foi alvo de humilhações e preconceitos. As mulheres são citadas em inúmeras músicas de samba antigas e contemporâneas, gênero este que variou do choro e ganhou letra, mas quase nunca estiveram ocupando papéis de instrumentistas ou de intérpretes. Muitas tentativas foram feitas desde o palco carioca do século XIX, no florescimento do Choro, até os dias de hoje, para que as mulheres passassem a ocupar cada vez mais espaço nas rodas, como instrumentistas ou cantoras. Contudo, dado os vários anos de subtração das composições femininas, outro trabalho de valor inquantificável encontra-se na recuperação de partituras antigas. Ludovina foi uma das mulheres da música brasileira que recentemente teve sua memória resgatada por meio do trabalho de recuperação de partituras e registros no acervo. Uma das organizadoras do Segundo Encontro Nacional de Mulheres na Roda de Samba, Camille Siston, chama esse processo (tanto o processo de ocupação nas rodas de Samba como o de recuperação de trabalhos femininos) de "desinvisibilidade". Para realizar o resgate de mais de cinco mil partituras de compositores em domínio público, foi criado o Projeto Acervo Digital de Partituras Brasileiras que esteve em curso nos anos dois mil e vinte e dois (2022) até dois mil e vinte e quatro (2024). Além dele, há registro de um trabalho "em construção" da pesquisadora de Pós-Doutorado em História Cultural na Unicamp, Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel, com o título "Cartografias da Canção Feminina: Compositoras Brasileiras no século XIX-XX-XXI. Ambos trabalhos têm por objetivo o mapeamento de composições e compositores brasileiros, com ênfase naquelas de gênero feminino. Ademais, as duas pesquisas citam Ludovina Villas-Boas dentre as compositoras visadas nos projetos
Biografia Ludovina Villas-Boas nasceu e morreu na cidade do Rio de Janeiro. Seu nascimento consta no ano mil oitocentos e sessenta (1860) e sua morte no ano de mil novecentos e trinta (1930). Estudou na instituição de ensino brasileira "Liceu de Artes e Ofícios", a qual na época oferecia aulas de música, além de outras variadas artes. Villas-Boas formou-se premiada "com distinções" na instituição. O período do seu ingresso na instituição é desconhecido, mas certamente depois dos anos oitenta, pois o instituto só passou a admitir mulheres a partir de mil oitocentos e oitenta e um (1881). Publicou sua primeira composição pelo periódico Narciso & Arthur Napoleão, que desempenhava função divulgando obras de compositores brasileiros; cita-se: Henrique Oswald (1852-1931), Alberto Nepomuceno (1864-1920), e a da referida Ludovina Villas Boas. Outrossim, também fez circular no Brasil composições francesas no tipo Debussy. A canção chamava-se "A Nova Era", e foi designada dentro do gênero musical "quadrilha", porque tinha por pretensão ser uma peça de salão composta no piano.
Produção Musical
Composições Compôs a quadrilha "A Nova Era" dividida em cinco movimentos. Alguns classificaram como música popular, quadrilha, ou a inseriram no gênero Polca. Polca era a música de dança de salão europeia, teria chegado no Brasil junto com a valsa, a quadrilha, amazurca, a modinha, a Schottish, onde logo ficaram famosas. No mesmo contexto, vieram à nação brasileira instrumentos populares em Portugal: piano, clarinete, violão, bandolim, cavaquinho. Daí, surgiu o encontro do ritmo africano como inspiração na percussão, com a Polca, e os instrumentos europeus. Dessa fusão, nasceu o Choro, e por isso se fala na contribuição de Ludovina Villas-Boas para o Choro nacional. Quando na regravação da sua composição para o CD "Mulheres do Choro" produzido por Luciana Rabello e Maurício Carrilho e gravado pela gravadora Acari Records em 2001, "A Nova Era" ganhou corpo numa versão de quatro instrumentistas, o formato tradicional do Choro contendo cavaquinho, clarinete, flauta e violão. Diferente de sua partitura original tocada no piano, que pode ser remetida como "Polca" ao invés de "Choro", justamente por esse fator. No contexto da importação das músicas e instrumentos europeus no século dezenove, a tradição era ser tocada no piano, e dessa forma veio às casas ricas brasileiras. Logo, com a disseminação do gênero para as classes mais baixas economicamente, houve a mistura, o acréscimo da síncope e o uso de instrumentos de corda e de solo. A formação "clássica" do choro viria a ser, então, um ou mais instrumentos de solo, neste caso, a flauta e o clarinete; um ou mais violões de seis cordas, por vezes acompanhado de um violão de sete cordas, responsáveis pela harmonia em conjunto ao cavaquinho, de igual função. E, se na existência de um violão de sete cordas, era utilizado como baixo. Também é possível adicionar um pandeiro para marcação.
Legado Musical Após quase cem anos do seu falecimento, suas composições ainda são lembradas entre as rodas de samba feminino. O grupo "Sorrindo as Pitangas, composto por Stefania Colombo, na flauta e percussão; Júlia Schirmer Valentini, no violão de sete cordas e bandolim; Mel Souza, no piano e por último, Thayãn Martins na percussão, reinterpretou no dia nove de março de dois mil e vinte e quatro músicas do Choro, inclusive de Villas-Boas. As artistas trouxeram mulheres de nome no Choro para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Além das de Ludovina Villas-Boas, foram utilizadas canções das compositoras Tia Amélia, Carolina Cardoso de Menezes, Viúva Guerreiro e Luciana Rabello.
Referências
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