Maria Somália Sales Viana (Fortaleza, 29 de outubro) é uma paleontóloga, geóloga e professora brasileira, é especialista em paleontologia do nordeste brasileiro, principalmente no estado do Ceará. É professora da Universidade Federal do Ceará, curadora da coleção de fósseis do Museu Dom José e sócio-efetivo da Sociedade Brasileira de Paleontologia.

Foi uma das pioneiras nos estudos paleontólogicos na região noroeste do Ceará, participando da descoberta da Arenactinia ipuensis, o animal mais antigo descoberto no Ceará, que viveu há mais de 430 milhões de anos. Também, tem destaque em estudos sobre a Bacia do Araripe.

Carreira Nascida em Fortaleza, Ceará, graduou-se em Geologia pela Universidade Federal do Ceará entre 1980 e 1985, foi durante sua graduação que teve o primeiro contato com a paleontologia. Para seguir na pós-graduação, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou no mestrado em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1987. Desde meados dos anos 80, iniciou seus estudos sobre a paleontologia da Bacia do Araripe, especialmente sobre estratigrafia e vertebrados. Em 1990, apresentou sua tese "Estratigrafia e paleontologia da Formação Santana (Cretáceo Inferior da Bacia do Araripe, Nordeste do Brasil)", sob orientação do prof. Ignácio Aureliano Machado Brito. Dois anos depois, tornou-se professora da Universidade Federal de Pernambuco, onde fez diversos estudos nas bacias sedimentares do Ceará e de Pernambuco, ao lado de pesquisadores como Ismar de Souza Carvalho. Entre 1995 e 1999, ingressou no doutorado em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob orientação de Martha Richter. Durante o início dos anos 2000, fez pesquisas na área de Icnologia, ao lado de cientistas como Sônia Maria Agostinho.

Durante escavações ao norte de Recife, em Pernambuco, em 2002, foi encontrado o fóssil de um crocodilo marinho. Este fóssil, seria estudado pelos paleontólogos José Antônio Barbosa, Maria Somália Viana e Alexander Kellner que descreveriam a espécie em 2005, como Guarinisuchus munizi. O nome da espécie traz uma homenagem à um dos pioneiros da paleontologia pernambucana, Geraldo da Costa Barros Muniz, que foi tutor de Maria Somália Sales.

Avanços na paleontologia do Noroeste do Ceará (2003-2024) Em 2003, Maria Somália mudou-se para Sobral (Ceará) para assumir o cargo de professora na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), onde fundou o Laboratório de Paleontologia da UVA e foi nomeada como curadora do acervo paleontológico do Museu Dom José, pertencente a Diocese de Sobral. Nessa época, no noroeste do Ceará só eram conhecidas as ocorrências de fósseis de megafauna pleistocênica, nos munícipios de Sobral, Ubajara e Santa Quitéria. Em meados de 2005, Somália e outros pesquisadores da UVA descobriram as primeiras ocorrências fossíliferas do Grupo Serra Grande, da Bacia do Parnaíba, na região próxima da Serra da Ibiapaba. Paralelo a isso, Somália esteve a frente de escavações nas grutas do Parque Nacional de Ubajara, em 2009. O ano seguinte foi um grande marco na paleontologia cearense quando ocorreu uma maior divulgação da riqueza fossílifera descoberta no Grupo Serra Grande e nas grutas do Parque Nacional de Ubajara, além dos registros de mamíferos pleistocênicos já conhecidos na região. No mesmo ano, Somália orientou a primeira geração de paleontólogos do noroeste cearense, Paulo Victor de Oliveira e Francisco Rony Barroso. Em 2012, foram encontraods novos fósseis de mamíferos pleistocênicos no munícipio de Irauçuba, que resultaram em novos estudos. Alguns anos depois, Francisco Rony e Maria Somália descobriram o animal mais antigo conhecido no estado do Ceará, a anêmona-do-mar Arenactinia ipuensis, com mais de 430 milhões de anos. Os avanços paleontólogicos e novas descobertas de todo o norte cearense seriam reunidos no livro "Atlas da Paleontologia", publicado por Somália em 2018. Em 2022, foi sócio-fundador do Insituto Histórico e Geográfico de Sobral. Em 2023, Maria Somália foi homenageada pelos pesquisadores Paulo Victor de Oliveira e Olga Alcântaras Barros na descoberta do novo gênero de camarão extinto Somalis piauiensis, encontrado no Piauí, com 90 milhões de anos (Bacia do Araripe). Após 21 anos de pesquisa e ensino na Universidade Estadual Vale do Acaraú e na coordenação do Laboratório de Paleontologia, Somália aposentou-se da universidade. Atualmente, é professora da Universidade Federal do Ceará, curadora no Museu Dom José e sócio-efetivo da Sociedade Brasileira de Paleontologia.

Livros Atlas da Paleontologia: Fósseis da Região Norte do Ceará (2018). Editora Edições UVA. Patrimônio Paleontológico (2019). Editora Interciência. A Natureza em Sobral: Biodiversidade e Conservação (2020). Prefeitura Municipal de Sobral. Tropeçando na Pré-História (2023). Editora SertõesCult. Tesouros Patrimoniais: Sítios Paleontológicos do Noroeste Cearense (2023). Editora SertõesCult.

Lista de espécies identificadas Somália participou da descrição de duas novas icnoespécies (icnofóssil), de dois vertebrados (um crocodilimorfo e um tubarão) e de uma anêmona do mar. Todas foram encontradas no nordeste brasileiro, entre os estados do Ceará, Piauí e Pernambuco. Lista completa de novas espécies descritas:

Bifungites munizi Agostinho, Viana & Fernandes, 2004 (Icnoespécie); Bifungites piauiensis Agostinho, Viana & Fernandes, 2004 (Icnoespécie); Guarinisuchus munizi Barbosa, Kellner & Viana, 2008 (Crocodylomorpha, Dyrosauridae); Planohybodus marki Pinheiro, Figueiredo, Dentzien-Dias, Fortier, Schultz & Viana, 2013 (Chondrichthyes, Hybodontidae); Arenactinia ipuensis Barroso, Viana, Agostinho, Daily, Fairchild, Marques & Pacheco, 2025 (Cnidaria, Actiniaria);

Prêmios e homenagens 2009 - Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (IPHAN). 2022 - Sócio-fundador da 8o Cadeira do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral. 2022 - Honra ao trabalho científico, nomeação do camarão fóssil Somalis piauiensis, da Bacia do Araripe.

Ver também Universidade Estadual Vale do Acaraú Grupo Serra Grande Bacia do Araripe Arenactinia ipuensis Gruta de Ubajara Guarinisuchus

Referências